UNIVERSIDADE VIOLADA REAGE
A comunidade universitária reagiu, indignada, à invasão do campus da UFBa pela Polícia Militar, durante manifestação pacífica dos estudantes pela cassação dos senadores ACM e Arruda, em 16/05. Eram cinco mil pessoas, oprimidas a bombas, tiros e pancadas. Na reação, 20 mil tomaram o campus, após emocionado ato público na Reitoria.
Nem na ditadura se viu tamanha intervenção policial no campus, como no dia 16. Um verdadeiro acinte à autonomia universitária. As Faculdades de Direito, Educação e Medicina, a Escola de Administração e os Institutos de Ciências da Saúde e de Ciência da Informação foram atingidos pela truculência da PM. Diretores de unidades e pró-reitores viraram alvo de bombas, em resposta à resistência oposta à ação da polícia. O comando da repressão sequer respeitou o habeas corpus obtido por professores de Direito.
A sede da APUB se encheu de gases e estudantes que fugiam da violência. Em poucos minutos, também foi cercada por pelotões. Em tempo real, o sindicato denunciou, pela internet, o que acontecia na Bahia. Recebeu dezenas de manifestações de apoio de professores, parlamentares, sindicatos e Seções Sindicais e da ANDES.
Resposta imediata - No mesmo dia da invasão, o Conselho Universitário se reuniu extraordinariamente. Por unanimidade, suspendeu as atividades acadêmicas no dia 17 e convocou um ato público na Reitoria. Deste, saiu uma outra passeata, bem maior que a primeira. A PM até que ensaiou reprimir, mas voltou atrás diante da repercussão dos acontecimentos do dia anterior e do volume de manifestantes.
A APUB, dentre outras ações, emitiu nota e requereu habeas corpus nas Justiças Estadual e Federal, para garantir a circulação no campus. Também disponibilizou sua assessoria jurídica para acompanhar professores em queixas policiais e ações judiciais por danos materiais e morais provocados pela violência policial. Ação semelhante foi implantada pela OAB Bahia, através da Comissão de Direitos Humanos, que promoveu ato de desagravo à UFBa, na Faculdade de Direito.
A Procuradoria da República informou que vai acionar o governo baiano pelos prejuízos materiais sofridos pela UFBa. O comandante da repressão será processado por desobediência à ordem judicial.
A Universidade Federal da Bahia não admite tamanha violência. E reage!